Flexibilidade

Sobre escolhas. Flexibilizar!

“- É pecado sonhar?

– Não, Capitu. Nunca foi.

– Então porque essa divindade nos dá golpes fortes de realidade e parte nosso sonhos?

– Divindade não destrói sonhos, Capitu. Somos nós que ficamos esperando, ao invés de fazer acontecer.”

Excerto do livro Dom Casmurro de Machado de Assis. 

Escolher é optar sabendo das prováveis consequências de deixar para trás algo que se preteriu. Não escolher é não ser nada. É deixar que os outros escolham por nós.
Eu prefiro sempre escolher. Por vezes não me agrada. Sei até que nem sempre estou certa.

Mas as escolhas impõe-se.

Tenho intrínseca em mim a necessidade de participar na minha vida. E é preciso andar para à frente com ela. Por isso, preciso fazer escolhas! E ser flexível! De não ser dura comigo.

Há quem me pergunte o que busco? Se dou conta do recado? Porque complico? Porque não reduzo tudo ao que simplesmente é? Porquê a mudança? Porquê o sonho? E quem fica? E depois? Eu respondo … porque sou assim, gosto de desafios, sou de excessos, tenho metas a cumprir.

Gosto de expectativas. Gosto de ser história para contar. Gosto de ir mais longe. Gosto de mim, preciso de me recriar.

Estou a envelhecer. Estou chata de morrer, não me sou suficiente. Quero ser exemplo para os meus filhos. Sinto-me capaz de tudo. Não desisto, agora tenho uma vida a nascer. E, se estas não forem as respostas esperadas, paciência.

Olhem-me de lado, falem nas minhas costas, cobicem o alheio.

Mas a mim, deixem-me ser feliz!

Hoje não acordei cedo. Hoje a insônia não quis nada comigo. Hoje dormi a sono solto. Hoje acordei com remelas e marcas no rosto. Babada até. Dormi o sono dos justos. Acordei com a preguiça de quem dorme demais e não se farta de estar deitado. Ando tão cansada dos desdobramentos semanais entre ser a mãe, a mulher, a empresária, a amiga, a blogger, a sonhadora, a contabilista, a dona de casa, a negociadora, a escrevinhadora, enfim, em ser eu. De escolher que assim seja.

Sinto-me um Origami humano que se faz e desfaz em múltiplas formas, mas sempre eu. E, desta vez, ainda que escolhas vá ter que fazer, vou ser flexível comigo. Vou pegar leve!

Lembrei-me do dia em que decidi realizar a empreitada de realizar um sonho, e de como, de pronto, comprei uma viagem de ida (sem volta) num navio que me levaria ao Brasil, fi-lo sem hesitações.

Enchi o peito de ar, digitei códigos de números infinitos, preenchi formulários, aprovei bagagem, escolhi o camarote e a hora de jantar.

Fiz uma escolha.

Não sabia bem no que me estava a meter, mas sabia que o primeiro passo estava dado! Guardei para mim esta decisão e segui caminhando de sorriso rasgado no rosto!

No dia seguinte, quando parei para pensar no restante (que era quase tudo!) dei-me conta da minha escolha e que, embora o pudesse fazer, não havia volta atrás e agora é que tudo ia acontecer!

Fazer acontecer por nossa conta envolve vários riscos, mas dá um gozo supremo. O estado de graça caiu em mim e sinto-me apaixonada porque paixão é viver intensamente e a minha vida está uma roda viva!

Agora, por estes dias, sei que vou ter de fazer escolhas. Difíceis. Mas flexíveis também. Para mim. Vou deixar a vida me levar.

Aos outros, ao que vão achar, bem, ainda não lhes perguntei.