Desejos de Ano Novo

Nos desejos de ano novo deste 2019, eu senti-me tão marcada pelos anos anteriores, que eu decidi não pedir nada. Apenas agradecer.

SOBRE O EXCEPCIONAL ANO DE 2015

Eu sempre fui ligada a datas, embora com os anos e a falta de as festejar, me tenha indo, pouco a pouco, desligando da sua importância.

O ano de 2015 está a acabar. Dentro de horas damos inicio a 2016. Pensando bem, eu sou mesmo de datas. Sou de crenças. Sou de superstições. Sou de intuições. Sou de destinos traçados. Definitivamente, não sou de acasos. E sou do Agora também!

E 2015 foi tudo isso e muito mais, foi o ano de viver o Presente e o Presente é Agora! Foi um ano excepcional, foi o ano em que me voltei a apaixonar.

Este ano fiz pela primeira vez muitas coisas, o que já queria ter feito, o que me decidi a fazer e o que jamais imaginaria ter feito. Fazer, fazendo acontecer foi o lema deste ano!

Logo no primeiro de Janeiro, a minha vida começou a mudar. Tinha acordado disposta a ser feliz, custasse o que custasse. Mas à minha volta a inércia tomava conta de quem não tinha pressa de viver. Eu tinha necessidade de ar, de sol, de liberdade.

Saí de casa, lá no Campo Vinte e Quatro de Agosto, quase no coração do burgo, sozinha, para andar por esta minha cidade que amo e que me deu tanto, desde sempre, acima de tudo, a força da minha identidade. Conheço-lhe as ruas que sobem e descem, as pedras brancas e escuras dos seus passeios, o granito frio e austero das casas de azulejos coloridos, as gentes de pêlo na benta e letra na língua, os tolos que a vagueiam, os turistas que a invadem. Fui e cheguei onde sempre dou, à Torre dos Clérigos, que me acompanha desde miúda, desde quando me queria refugiar e pensar na vida. Os anos passaram mas a miúda ainda cá anda. Já lá não estou só. Os chineses, os franceses, os italianos também querem o melhor angulo da minha bela fortaleza, da minha invicta. Quedei-me a olhar. Só a olhar. Porque a vida que faz pensar, tinha, por esta altura, decisões a tomar e tomou-as. Não havia mais que pensar.

Veio Fevereiro e o Carnaval, pela primeira vez, festejei exactamente como sei e gosto … A sambar, a rir e a brincar!

Em Março, o meu filho António fez nove anos, e fui pela primeira ao Estádio do Dragão, ver jogar o Futebol Clube do Porto – Bayern de Munique. Ganhou o Porto 3-1. Uma alegria!

Em Abril, comprei a minha primeira passagem de navio para a travessia atlântica.

Da ideia do sonho à necessidade do acto de realizar.

Em Maio, a sete, comprei o meu segundo carro sem opiniões nem considerações. Pela primeira vez!

E, a catorze, pela primeira vez, fui de avião, sozinha (dá para acreditar?), a Lisboa, para sozinha, ver o meu querido Roberto Carlos.

E a vinte e cinco, via, mais uma vez, a diva em palco Maria Bethânia e para minha felicidade, pela primeira vez, abracei-a e partilhei momentos de intensa espiritualidade. Agradecia cada segundo de vida!

Em Junho e Julho, e não, não era a primeira vez, confirmava que há pessoas que nunca mudarão, aconteça o que acontecer. E que quem tem de mudar sou eu!

E mudei! Preparava a todo o vapor a minha viagem ao Brasil e começava a desenhar-se a ideia do blogue. E a ideia era falar de mim, da minha vida, da superação de obstáculos, da realização de sonhos e da vontade de se ser exactamente aquilo que se quer ser! No meu caso, a viajar!

Lá trás, como agora, sobre o que acho da opinião dos outros, é mais ou menos isto, em forma de legenda vinda do passado:Não estou nem aí para as vossas considerações!

Em simultâneo, vivia intensamente o verão das minhas crianças, com quem trabalho e a quem dedico o meu tempo há quase quinze anos, são umas e outras que crescem e vão e vêm. Aqui, numa aula de capoeira que experimentei pela primeira vez!

A meu lado, sempre, a minha mãe, incansável, e as minhas parceiras de luta diária, leais e dedicadas. A elas, agradeço-lhes tudo o que me permitiram viver! Obrigada Al e El!

Depois veio Agosto, o meu mês, quarenta e um anos, e o mundo para descobrir com os meus, sempre mais que tudo, rapazes da minha vida!

E horas e horas, dias atrás de dias, todo o mês, a escrever, a digitalizar, a editar, a refazer, a desfazer, a chorar, a rir, a pensar, a prever, a saber. O Blogue era já uma realidade … começou por ser Arroz com Feijão

Em Setembro, estava em estado de graça, o meu filho Francisco fazia dezasseis anos, e eu agradecia tudo o que tinha conquistado nesta vida!

Os meus filhos que são extraordinários (e chatos como só eles sabem ser!) e eu, que questionava tudo o que era e estaria para ser, e tudo isso já eu sabia que estava destinado a ser assim!

Não era bom, nem mau, era apenas a vida a se revelar!

Em Outubro, cumpri uma vontade antiga, fiz uma sessão fotográfica com a fotógrafa mais curtida que poderia ter escolhido … que foi inteira e captou instantes, tradução de mim!

O blogue passava a chamar-se viagensdahelena.com

A vinte e cinco de Outubro partia para Lisboa. Deixava as minha certezas guardadas no coração. As dúvidas viria a esclarece-las ao longo de toda esta jornada.

E a vinte e oito embarcava em Las Palmas na grande aventura da minha vida!

Ia atravessar o Atlântico de navio para chegar ao Brasil. Não cabia em mim de orgulho!

Aprendi a estar sozinha e a gostar muito, muito mais do que eu pensava. Porque na verdade nunca estive sozinha mas com todos aqueles a quem me dispus conhecer, conversar, rir, viver.

A felicidade era em mim um estado permanente. Era branca e brilhava como os brilhantes falsos dos meus brincos, mas como alguém me dizia “não é por isso que deixam de brilhar”!

E em Novembro, chegava ao Brasil! O meu sonho era agora realidade e aqui contaria tudo o que vi e vivi!

E em Novembro, voltei ao Porto. E nunca mais, nada do que era, do que tinha sido, voltaria a ser. Assim creio. E aceito.

Em Dezembro, mês da renovação, mês da luz, eu que sou de datas, vivi o Natal certa da renovação porque passo. Eu que sou de datas agradeço estes trezentos e sessenta e cinco dias cheios de sonhos realizados de vida vivida.

Eu que sou de crenças, que sou de superstições, que sou de intuições, que sou de destinos traçados, sei que o meu caminho ainda agora começou. Porque caminho numa nova direção que me levará ao melhor de mim.

Eu, que definitivamente não sou de acasos, sei o que está escrito, porque a minha vida quem a escreve sou Eu. Eu que me voltei a apaixonar. Por mim!

E a nossa viagem no tempo continua e vejam bem, em 2016 era assim:

Por esta altura já tinha bem interiorizados os meus desejos para 2016. Ser a minha prioridade.

De facto, sempre fiz listas enumerando os desejos, os sonhos, as realizações. Mas não este ano novo que se inicia. Este ano que chega será um ano de mergulho interior. De deixar vir o que a vida me oferece. De me conhecer, realmente, a mim mesma. De me tornar a minha prioridade.

E, este ano, vou fazer a minha parte, que é muita, que é trabalhosa, que é cansativa, que é inspiradora, que é gratificante, que é tudo o que posso fazer. E depois vou aguardar e ver o que me está reservado. E confiar.

Sei que muito virá sem planos, inesperado.

Sei que por mais que preveja o que desejo, a vida vai me dar mais, a vida vai me virar do avesso, a vida vai me levar por onde os mistérios, de quem vive, seguem.

Os obstáculos são muitos. De várias formas e feitios. Alguns são internos, estão dentro de mim e tenho de os superar, reinventando-os, anulando-os, transformando-os.

Outros são exteriores, são os mais fáceis de resolver, de ultrapassar. São os que acreditando, se dissolvem. E são os que sendo teimosia, se largam. Ou moldam-se. Adaptam-se às necessidades e tornam-se prémios, se ganhos.

Surgem, por vezes, do nada, E, no fim, têm sempre solução.

Os meus passos são firmes. Seguem um caminho que escolhi e que trilhei com a certeza do destino. Subo, desço, contorno, volto atrás, paro, engasgo, acelero, sigo em frente e algumas vezes para o abismo, e travo, travo a fundo, e dou uma guinada para logo a seguir continuar.

Estes dias, deste ano que se inicia, foram quarenta e oito horas de serenidade, de entrega, de meditação. Pensei muito nas questões atentas e pertinentes que me colocaram.

Tens mesmo a certeza que segues para algum lado? Que não é pura perda de tempo?Que não passa de um sonho sem realidade à vista? Que alguém quer saber? Que de facto te leem? Que acrescentas algo aos outros? Que tudo não passa de egocentrismo? De uma ilusão?

Eu respondo. Eu tenho a certeza do meu caminho.

Do quanto cresci, do quanto evolui neste processo de exposição e de aceitação da minha forma de ser. Desta realidade que busquei e criei para mim. Que, na minha verdade, inspiro quem sempre sonhou como eu, quem sempre desejou como eu, e que de alguma forma não o conseguiu concretizar, mas que agora acredita que é possível.

Que quem quer, alcança. Que me apresento na forma mais genuína de mim mesma e apenas quero esta forma de estar. Sem filtros. Sem disfarces. Sou a minha prioridade.

As escadas que escolho subir levam-me aonde quero ir. Ser a minha prioridade. Os sacrifícios conheço-os bem e na forma de degraus servem apenas para me guiar.

Mas isto ainda não era nada … estes anos que me reviraram do avesso.

Eu não era quem sou. Eu nem sabia que podia me tornar em quem sou hoje.

O caminho que percorri foi tão fascinante, tão doloroso, tão vivo, tão transcendente que hoje, eu sei, de pouco valem os desejos de ano novo.

E, então veio 2017 … foi um ano de aprofundamento profissional … e concluía o ano a dizer que …

Este foi um ano e tanto. Foi tanto o que aconteceu (e não aconteceu) em 2017 que nada acaba nem começa com a mudança do ano, pois 2018 será para continuar a jornada. E ela adivinha-se maravilhosa!

Por isso decidi não atribuir ao tempo a importância cronometrada que o tempo tem. Percebi que o tempo não se encerra em 365 dias. Ainda assim vou revê-lo. Grata. Grata a cada instante. Longos dias vivi. Cada hora, cada minuto. A consciência faz isto em nós. Faz-nos viver cada dia com toda a importância que cada dia tem.

Esta jornada começou no dia que tomei consciência da consciência que sempre tive.

É a responsabilidade sobre a consciência. E isto é algo completamente transformador. E doloroso. E lúcido. E decisivo.

Fui imensamente feliz no encontro com os que me pertencem, sem serem meus, e neles senti-me em casa – foram encontros imprevistos, foram videos no You Tube, foram livros sugeridos, foram filmes do acaso onde alimentei o meu saber, a minha luz tornou-se presente … e por isso agradeço a quem se atravessou no caminho de busca de mim mesma

Deleguei definitivamente a gestão diária da actividade que exerci na área do ensino e que me preencheu plenamente nos últimos 15 anos, partindo com a consciência tranquila e sensação de dever cumprido … e por isso agradeço a quem tanto confio.

Transformei a minha paixão – o Brasil – numa nova forma de vida e de negócio, criando o Programa Universo 7, conceito que une o lazer ao desenvolvimento pessoal através de uma viagem,e por isso agradeço, a aplicação da aprendizagem resultado de muitas horas de dedicação e estudo e, sobretudo, de prática.

Iniciei o projecto Mulheres em Viagem que me deu experiência e humildade … e por isso agradeço a quem acreditou.

Desenvolvi vários processos de Coaching desafiantes, mas um em particular, houve um Processo de Coaching com uma cliente muito especial e desafiante que trouxe a aceitação da dor, a clareza da lucidez e a capacidade de decisão – quando dás o teu melhor o retorno é uma lei universal e por isso sou eternamente grata!

Participei num encontro de Mulheres Inspiradoras que veio a revelar-me a magia de ser quem sou – daquele dia trago uma amiga para a vida (e outras que lá fui reencontrar) … e por isso agradeço, por ver além das aparências, a simplicidade e singeleza que cada um carrega

Mais tarde, num encontro de energias e tempos de mudança, cruzei-me com alguém muito especial (que afinal estava na minha vida há mais de 30 anos e eu não sabia), mais uma vez a dor, a lucidez e a decisão tornavam-se obrigatórias e exigiam de mim tudo o que eu tenho para dar … e por isso agradeço à memória viva de quem é mensageiro de luz

Decidi arriscar tudo e apresentar o Programa Universo 7, conceito que une o lazer ao desenvolvimento pessoal através de uma viagem, na BTL 2018 – a maior feira de turismo nacional … e por isso agradeço ao medo, que não me assiste.

Tomei a difícil decisão de cancelar a primeira viagem Universo 7  – já vendida e marcada para Novembro – por razões pessoais e absolutamente impossíveis de adiar – senti na pele mais uma vez a dor, mas também o respeito de quem entende o que me era exigido, a lucidez e a decisão … e por isso agradeço à verdade que é a única que sei viver!

Doei Sentimentos Positivos nas ruas do meu Porto ao lado de mulheres maravilhosas, gigantes de coração e afecto … e por isso agradeço a quem teve tal iniciativa … o mundo é feito de gente, de gente boa.

E por fim, já quase, quase no fim do ano, realizei outro grande desafio de Coaching com 50 mulheres onde se trabalharam muitas metas, muitas vidas, muitos sonhos, muitas decisões … e por isso agradeço a abundância e a prosperidade que o meu trabalho me proporciona.

Mas muitas outras coisas não aconteceram e tantos outros foram postos de lado

Não fui ao Brasil – decisão consciente e responsável que me libertou

Não voltei ao ginásio – dediquei-me à meditação

Não fiz o Caminho de Santiago – fiz o meu Caminho Interior

Não atendi telefonemas, nem respondi mensagens que me pediam tempo de reflexão – a amizade verdadeira entende a necessidade do afastamento e a que não entende não me obriga

Não estive todo o tempo de qualidade que queria estar com os meus filhos – sendo tantas vezes invisível aos seus olhos sabem-me sempre lá

Não segui conselhos, nem sugestões – silenciei

Não fui ao samba todas e as tantas vezes que quis ir – o trabalho desafiante e ambicioso obrigou-me a escolhas – mas o samba não sai de mim e eu não saio do samba

Não cuidei da minha alimentação com regra e hábito – bebi muita água, chás e mojitos

Não me nutri de todos os abraços que precisei – chorei só, tudo o que tive de chorar

E a outros, de novo, lhes dei uma oportunidade

Mas decidi continuar a silenciar.

A dor é tamanha. Ainda não lhe tomei pulso. E adivinha-se uma quarta feira de cinzas.

A lucidez ofusca não me permitindo olhar para trás. Custe o que custar. Até mesmo se errar.

A decisão. A decisão está tomada há muito tempo. Mas só agora tenho coragem para ser feliz. Sozinha.

Olho para trás, sorrio. Relembro o que conquistei, o que perdi. Não me demoro. Eu sei. O melhor está por vir!

E 2018 chegava e aí a reviravolta foi de ponta cabeça, que nem eu por vezes acredito!

Agora? O que é que eu faço?

A última vez que escrevi no blog eu já não achava que era um blog de viagens. Na verdade, nunca foi. Não desses que são de viagens de ir aqui, ali e acolá.

Confesso que tinha dúvidas havia muitos, muitos meses. Sentia um desconforto incomodo. Mas não sabia como descalçar este sapato apertado. Eu tinha feito tudo. Mas não era suficiente.

Sentia-me muito cansada. Não sabia mais para onde ir. Apenas perguntava: e agora? O que é que eu faço?

Decidi então parar. Ficar quieta.

E, de repente, parada, sozinha, só, completamente só, comecei a pensar como tinha sido alucinante a minha vida. desde o primeiro de Janeiro de 2015.

Eu sei como. Eu vivi ao limite. Na felicidade. Na ilusão. Eu morri com a realidade. Eu renasci desfeita. Perdida. Sem saber quem era.

Eu, de novo, desfaleci de dor. E, na mais profunda escuridão, me reergui, dia após dia, sabendo que o caminho era só meu. Solitário.

Num mar de dúvidas, de decepções, de confirmações. Uma montanha russa onde tudo e todos me eram estranhos. Eu mesma tornava-me observadora de mim. Eu que não sabia mais quem era. Mas que cada vez mais me reconhecia.

Comecei por rever tudo o que se tinha passado na minha vida. Como tinha sobrevivido e chegado até aqui. Ano após ano. Mais mês menos mês. 

Tudo se tornava inacreditavelmente absurdo. Ou não.

Agora, avaliando, eu tenho certeza absoluta. A certeza do inimaginável e do impensável. Do fantástico e do ridículo.

E eu tenho a certeza que a minha verdadeira viagem não foi a viagem que fiz ao Brasil. Essa foi o gatilho de tudo o que veio a seguir! Foi a tomada de decisão e, na verdade, começou antes de partir. Muito antes.

A minha verdadeira viagem foi e continua a ser interior. Trata-se de um mergulho profundo e imerso no meu interior que, particularmente, neste último ano me tem virado do avesso e, de novo, me faz descobrir quem sou e me achar. Afinal, eu estive sempre aqui. Dentro de mim.

Só ainda não sei o que faço com este eu. 

Beijo enorme e até já!